Watch «Ao Soberno e sempre Augusto Monarcha el Rey dom João quinto de Portugal»

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O simbolismo da cerimónia de Lava-Pés aos pobres da cidade, protagonizada por D. João V, no principal espaço de aparato do palácio desde os tempos de D. Manuel I e a maior sala do conjunto palatino, com uma área superior a 450 m2, era ainda o local onde se realizavam os atos solenes das Cortes, o que lhe conferia particular simbolismo político, evocando a profunda devoção católica do rei e do seu reinado, mas também o direito «divino» do soberano em ostentar o título de príncipe da Terra e do Céu.

Não se sabe quando teve início o hábito de D. João V realizar esta cerimónia, mas ela já marcava o calendário pascal do monarca em 1714 e foi objeto de regulamentação própria no ano seguinte. Crê-se que esta demonstração pública de piedade pelos reis portugueses tenha tido a primeira manifestação na Idade Média, com a rainha Santa Isabel, e a prática está documentada em vários reinados. Na gravura do tempo de D. João V, a longa legenda que acompanha o desenho indica que se celebrava todos os anos. Há notícia de que também a rainha D. Maria Ana de Áustria efetuou vários lava-pés a mulheres pobres de Lisboa e de que os infantes serviram à mesa o banquete que se seguia à cerimónia, em mesas de Estado e de cujo cardápio não constava a carne.

O episódio é conhecido graças a uma gravura datada de c. 1748 e realizada pelo artista de origem holandesa Guillaume François Debrie (ativo em Portugal entre 1728 e 1755). A cena foi desenhada, passada a gravura e oferecida ao Soberno e sempre Augusto Monarcha el Rey dom João quinto de Portugal, pelo seu mais humilde e fiel criado Guilherme Francis.co Lourenço Debrie, acompanhada de legenda laudatória à natureza magnânima do rei.

«Ao Soberno e sempre Augusto Monarcha el Rey dom João quinto de Portugal» | Estúdio Mário Novais | Séc. XX [1947]
Reprodução fotográfica de gravura de Guillaume Debrie, c. 1748
Museu de Lisboa

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