MEMÓRIAS DO ARQUIVO HISTÓRICO DE OURÉM Por volta de 1930, o Teatro de Vila Nova de Ourém recebia a primeira r…

MEMÓRIAS DO ARQUIVO HISTÓRICO DE OURÉM
Por volta de 1930, o Teatro de Vila Nova de Ourém recebia a primeira revista produzida a partir de assuntos locais, da autoria do Dr. António Justiniano da Luz Preto e Alberto Pinheiro.
A “MÁ LÍNGUA”, peça de crítica bem-disposta dedicada à sociedade oureense, foi “a primeira «revista» que veio à luz da ribalta e que Ourém a assistiu inteirinha, estrepidante de gargalhada ante alguns números e impressionada até ao coração com outros”
Em 1985, o jornal Notícias de Ourém recupera um excerto desta revista que ironiza a escolha de Vila Nova de Ourém entre os distritos de Leiria (Janota) e Santarém (Campino).

A CEGADA

CAMPINO
Onde vai a minha q’rida
Com janota tão garrido?
Vira daí as patinhas
Não te faças atrevido.

JANOTA
Vamo-nos juntar os dois,
Não damos satisfação,
O que tem você com isso,
Seu campino seu brigão?

CAMPINO
Não te ligues ao pinoca
Que ele não sabe o que diz
Não troques o lindo Tejo
P’las tristes margens do Liz

JANOTA
Vais gozar melhoramentos
Vais ter ruas calcetadas,
Em cada largo um jardim
Com águas canalizadas.

CAMPINO
Não te fies em promessas
Não vás no bote embarcar,
Mais do que eu te tenho dado
Não é capaz de te dar.

JANOTA
Deixa lá esse campino
Tratar cavalos e bois,
Vem comigo pr’a Leiria,
Vida faremos os dois.

CAMPINO
Mas isso não vai assim
Sem haver trolha valente,
Afocinhas que é uma graça,
Ai se te pego de frente.

RAPARIGA
Entre dois apaixonados
Não sei p’ra quem me voltar.
Se fique com Santarém
Se a Leiria me ligar

JANOTA
Valentões do Ribatejo
Não metem medo a ninguém,
Vem comigo, meu amor,
Desliga de Santarém.

POLÍCIA
Na frente da autoridade
É porivido o motim,
Se desatam à galheta
Vão os dois para o estarim

O DA VIOLA
P’ra não haver zaragata
É melhor estás a ver,
A menina entre os dois
Cal é que quer escolher?

POLÍCIA
Falou bem, seu da viola,
Bocê é que tem razão.
Quer Leiria ou Santarém,
Diga sim ou diga não.

RAPARIGA
Não é feio este rapaz
Tem assim um tipo fino,
Mas amor de cá de dentro
Eu tenho mais ao campino.

JANOTA
Pertence-me esta menina,
Se quer ver, senhor soldado,
Eu trago aqui no meu bolso
Um grande abaixo assinado.

CAMPINO
Guarde lá esse papel
Oh seu trouxa, oh gabirú,
Pode deitá-lo ao lixo,
Ou então limpar-lhe o…


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