GUEVARISMO E REVOLUÇÃO ARMADA EM PORTUGAL E ESPANHA – 1959 FOI 60 ANOS Queiroga Chaves e os militares rebe…

GUEVARISMO E REVOLUÇÃO ARMADA EM PORTUGAL E ESPANHA – 1959 FOI HÁ 60 ANOS

Queiroga Chaves e os militares rebeldes no exílio sul-americano.
Pela revolução armada contra os ditadores ibéricos

Mal tinha vingado o «Movimento de 26 de Julho» em Cuba (1 de janeiro de 1959), portugueses e espanhóis exilados correm para Havana, em busca de inspiração e auxílio para a revolução armada conjunta na Península Ibérica.
Munido de credenciais fornecidas pelo General Humberto Delgado, o capitão Queiroga Chaves (líder da Revolta da Mealhada de 1946 e prisioneiro no Aljube e no Forte de Peniche até 1950) partiu de S. Paulo para Havana, com o apoio do «patriarca» dos republicanos exilados no Brasil, desde 1927 – o capitão Sarmento Pimentel.
Aí buscava não só o suporte financeiro mas principalmente o apoio de cubanos e das técnicas de guerrilha que Fidel e os seus companheiros haviam adquirido no México com a instrução do mítico capitão aviador Alberto del Bayo, um comandante do V Exército na Guerra Civil de Espanha, que se exilara naquele país em 1939.
A ideia que Queiroga começou por colocar em prática no início da década de 60 incluía a instalação de «campos de guerrilha» no Norte de África (Marrocos) para daí partir ao assalto dos centros de poder das duas ditaduras ibéricas.
Esta foi uma ideia partilhada por alguns dos militares rebeldes (portugueses e espanhóis), exilados na América Latina no início da década de sessenta – Humberto Delgado, Henrique Galvão e Queiroga Chaves, os principais entre os portugueses.
A impossibilidade de um comando único resultou em ações desgarradas, com sucesso reduzido. No âmbito do DRIL (Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação), Henrique Galvão desencadeou as operações «Dulcineia» e «Vagô»; Humberto Delgado entraria clandestinamente em Portugal para apoiar o «Golpe de Beja» em 1961 e Queiroga chegou a estar ligado a «campos de guerrilheiros» no Norte de África, em nome de uma Frente Cívica Revolucionária que unia portugueses e espanhóis.

Nota 1: Na carta abaixo, dirigida por Fernando Queiroga Chaves ao capitão Sarmento Pimentel em maio de 1959, documentam-se a sua ida a Cuba com intuitos revolucionários e ainda a retirada das credenciais pela parte do General Humberto Delgado

Nota 2. No exílio, Fernando Queiroga Chaves escreveu o livro «Portugal Oprimido». No epíteto a uma das edições deixaria registado:
«Os generais, neste país, estão apodrecidos. Venham os capitães capazes de os pôr de lado e marchar para a democracia»





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