De azul de manganês e antes dos Mestres Atribuindo viva cor e movimento à coleç…

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De azul de manganês e antes dos Mestres

Atribuindo viva cor e movimento à coleção do Núcleo Museológico do Castelo de S. Jorge, realça-se esta cercadura de azulejos de meados do século XVII, pintada a azul de manganês e decorada com pequenos anjos.

Foi encontrada durante as campanhas de escavações da Praça Nova do Castelo, atual Núcleo Arqueológico, nas ruínas do antigo Palácio dos Condes de Santiago, anteriormente chamado Palácio dos Bispos.

É herança de uma época sobrevivente do terramoto de 1755, mas sobretudo de um gosto estético do seu tempo.
São comuns os emolduramentos na azulejaria portuguesa deste período e considerados importantes para a entendimento da organização do revestimento azulejar.

Ao valorizarem os conteúdos, sem imporem uma sobreposição vão atribuindo destaque às imagens e narrativas que torneiam.

Possivelmente, a cercadura presente no Núcleo Museológico do Castelo, constituiu em tempos a moldura de um painel figurativo, pronunciando o início de uma técnica mais erudita, anterior ao Ciclo dos Mestres, tal como o seu emolduramento o faz.

Representa pequenos anjos que brincam entrelaçados e que se juntam a motivos vegetalistas, tornando-se azulejos únicos com as suas diferentes pinceladas. É curioso reparar que, apesar do tema dos elementos figurativos se manter constante, só a corda e o aro se repetem de forma linear, impondo o ritmo de repetição desta moldura.

Dos nossos “objetos quase”, é das peças mais ricas, revelando-se como um exemplo característico da azulejaria de século XVII.

Raquel Guerreiro
Serviço Educativo
Castelo de S. Jorge
EGEAC

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Referências
SALEMA, Rosário de Carvalho (2017), “Quem faz o quê: A produção de azulejos na época moderna (séculos XVI a XVIII)”, ArtisOn, Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 8-24.

Objectos quase: gentes, factos e artefactos é o projeto online de divulgação das peças do Núcleo Museológico do Castelo. Atividades, comentários e exposições temporárias, serão as ferramentas utilizadas para devolver as formas e as memórias desses quase objectos. Ou objectos quase, para citar o escritor José Saramago.


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