ALVES REDOL – 50 anos da morte Lemos muito e ouvimos ler Alves Redol. A escola de Abril trouxe-o ao convívio …

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ALVES REDOL – 50 anos da morte

Lemos muito e ouvimos ler Alves Redol. A escola de Abril trouxe-o ao convívio das jovens gerações, a escola do pós-abril conduziu-o a um certo esquecimento. Injustamente, como o têm demonstrado muitos dos últimos estudos sobre a construção da obra literária em Alves Redol – um escritor que partiu, em larga medida, do mundo ribatejano, em redor de Vila Franca, para alargar o local ao universal, na defesa deliberada – politicamente empenhada – do trabalho e da luta contra a injustiça das relações sociais impostas às gentes do rio e aos camponeses da lezíria.
Foi deste mundo circundante que colheu as suas fontes e que construiu a sua obra – do «realismo etnográfico» que o preâmbulo para a sua primeira publicação, «Glória – Uma Aldeia do Ribatejo» anuncia: «E ao trote largo de uma parelha que nos embalava e a mão firme de Pompeu Reis ia dominando, falou-se da Lezíria e dos seus habitantes, da sua riqueza e dos costumes dos que a revolvem. O nosso condutor, cuidadoso jardineiro dos campos que arrenda na campina, contou-nos com emoção o que aprendera no seu contacto com o rancho de Manuel Alexandre, da Glória. Havia ali um filão etnográfico a explorar».
Daqui, Alves Redol partiu por outros caminhos, sempre sustentado pelo estudo prévio criterioso, mas enriquecido com a rica discussão cultural que se desenvolveu em torno do grupo neo-realista que, de Vila Franca de Xira, foi ganhando o país nos difíceis anos 40, de ditadura, de pobreza e de guerra.

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